MB WAY na barbearia: cobrar sem terminal de pagamento
Como receber por MB WAY numa barbearia ou num salão sem terminal de pagamento: o que ganha e perde com cada forma, e o que não esquecer, como a fatura.
Em Portugal, muita gente já não anda com dinheiro na carteira, mas tem quase sempre o telemóvel no bolso. Para uma barbearia ou um salão pequeno, isso cria um dilema. Um terminal de pagamento tem custos fixos e comissões. Recusar pagamentos que não sejam em dinheiro faz perder clientes, ou obriga-os a ir ao multibanco da esquina.
O MB WAY é uma saída a meio caminho: os clientes já o têm instalado e sabem usá-lo. A questão é como o usar bem no negócio. Há três formas comuns, cada uma com vantagens e cuidados.
1. O MB WAY pessoal, com o número de telemóvel
É a forma mais rápida de começar. O cliente envia o valor para o número de telemóvel associado à sua conta e mostra-lhe o ecrã com a transferência feita.
O que ganha: não tem custos de instalação, não precisa de contrato e funciona no próprio dia.
O que perde:
- O dinheiro do negócio mistura-se com o dinheiro pessoal, o que complica as contas ao fim do mês e a conversa com o contabilista.
- Tem de confirmar, pagamento a pagamento, que o dinheiro chegou mesmo. Um ecrã mostrado à pressa não é uma prova.
- Os bancos têm limites e condições próprias para o MB WAY entre particulares. Antes de o usar no negócio, confirme com o seu banco o que as condições permitem.
Se for por aqui, use pelo menos uma conta bancária só para o negócio, mesmo que trabalhe em nome individual. Separar as contas é o primeiro passo para saber quanto ganha de facto.
2. Um pedido de pagamento enviado para o telemóvel do cliente
Várias empresas de pagamentos portuguesas deixam um negócio pedir um pagamento por MB WAY: escreve o valor e o número do cliente, e ele recebe uma notificação na app para aprovar. Não há terminal nem cartão, e o dinheiro entra numa conta em nome do negócio.
O que ganha: os pagamentos ficam registados com a data, o valor e a referência, separados do seu dinheiro pessoal. Não tem de verificar ecrãs: sabe que o pagamento foi aprovado.
O que perde: paga uma comissão por cada pagamento e tem de abrir uma conta numa empresa de pagamentos, com os documentos do negócio. Os preços variam bastante entre empresas, por isso compare a comissão por pagamento, a mensalidade (se houver) e o tempo que o dinheiro demora a chegar à sua conta.
Quanto custa? Como exemplo, a ifthenpay indica no seu site 0,07 € + 0,7 % por cada pagamento MB WAY, sem mensalidade nem mínimos. Num pagamento de 20 €, são cerca de 0,21 €. Veja sempre o preço atual no site do prestador antes de escolher.
3. Um código QR ou um link de pagamento
Uma variante da anterior: em vez de pedir o número ao cliente, mostra-lhe um código QR no seu telemóvel, num tablet ou impresso no balcão. Ele lê o código, escolhe como pagar e aprova. Algumas soluções aceitam, além do MB WAY, o Apple Pay e o Google Pay.
O que ganha: o cliente não tem de dizer o número de telemóvel em voz alta à frente de outras pessoas, e o pagamento fica associado ao serviço que fez.
O que perde: como na opção 2, há comissões e uma conta a abrir. Um QR impresso com um valor fixo também não serve para todos os serviços, por isso convém gerar um código por pagamento.
Não se esqueça da fatura
Seja qual for a forma de receber, a obrigação de passar fatura não muda. Em Portugal, cada venda ou serviço tem de ter a sua fatura, emitida num programa de faturação certificado ou no Portal das Finanças (artigo 29.º do Código do IVA). Um pagamento por MB WAY não substitui a fatura, e uma transferência sem fatura é um problema à espera de acontecer.
Se usa um programa de faturação, veja se ele pode registar o meio de pagamento em cada fatura. Ao fim do mês, é mais fácil cruzar o que entrou na conta com o que foi faturado.
Como escolher
Faça três perguntas a si próprio:
- Quantos pagamentos recebe por dia? Com poucos, o custo de uma solução paga pode não compensar no início. Com muitos, o tempo que poupa a confirmar pagamentos e a fazer contas compensa depressa.
- Quem recebe os pagamentos? Se a equipa tem mais de uma pessoa, um sistema em nome do negócio evita pagamentos para o telemóvel errado e confusões ao fecho do dia.
- Quanto tempo gasta com as contas? Se o fecho do mês demora uma tarde inteira a cruzar extratos, ter os pagamentos registados um a um poupa esse trabalho.
Dicas para o dia a dia
- Diga logo como se paga. Um aviso no balcão e na página de marcações («Aceitamos dinheiro e MB WAY») evita que o cliente chegue ao fim do corte sem forma de pagar.
- Cobre antes de o cliente vestir o casaco. Parece óbvio, mas é no momento da despedida que mais pagamentos ficam esquecidos.
- Confirme sempre que o pagamento entrou antes de o cliente sair, seja qual for a forma.
- Guarde o registo de cada pagamento com a data, o valor e o serviço. No fim do mês, agradece.
E no Synkora?
O Synkora já guarda as suas marcações, os clientes e o que cada um fez, com a agenda no telemóvel de cada pessoa da equipa. Receber por MB WAY numa conta de pagamentos do próprio negócio, ligada a cada marcação, está a caminho. Entretanto, pode registar cada pagamento, com a forma de pagamento, e ver na «Caixa» quanto recebeu em cada dia e o que ficou por cobrar.